Royalties sobre compras ou sobre faturamento: qual modelo é mais vantajoso?
Ao analisar uma franquia, o investidor costuma observar o percentual de royalties cobrado pela rede. Mas esse número, sozinho, não revela quanto a taxa realmente representará para a operação.
O ponto mais importante é entender sobre qual valor o percentual será aplicado.
Algumas franquias calculam os royalties sobre o faturamento bruto da unidade. Outras utilizam como referência o volume de compras realizado pelo franqueado. Assim, uma cobrança de 5% sobre compras não equivale a uma taxa de 5% sobre faturamento.
Essa diferença pode alterar significativamente o valor desembolsado todos os meses. Por isso, para entender qual franquia de tintas oferece o melhor custo-benefício para investir, é importante conhecer a base de cálculo dos royalties e simular como ela se comporta em diferentes cenários.
O que são royalties em uma franquia?
Royalties são valores pagos periodicamente pelo franqueado à franqueadora pelo direito de utilizar a marca, o modelo de negócio e a estrutura desenvolvida pela rede.
A forma de cobrança varia conforme cada franquia. Pode existir um percentual sobre faturamento, uma taxa calculada sobre as compras, um valor fixo ou outros formatos previstos contratualmente.
É por isso que comparar apenas os percentuais divulgados pode gerar uma interpretação equivocada.
Uma taxa de 5% sobre compras e uma taxa de 5% sobre faturamento possuem o mesmo percentual, mas podem gerar valores bastante diferentes no caixa da unidade.
Como funcionam os royalties sobre faturamento?
Quando os royalties são calculados sobre o faturamento, o percentual incide sobre o total das vendas realizadas pela unidade em determinado período.
Imagine, em um exemplo simplificado, uma loja que tenha faturado R$ 100 mil durante o mês.
Se a franquia cobrar royalties de 5% sobre o faturamento, o pagamento correspondente à taxa será de R$ 5 mil naquele período.
Nesse modelo, o valor destinado aos royalties acompanha diretamente as vendas. Se o faturamento aumenta, o pagamento também cresce.
Para avaliar o impacto desse formato, o investidor precisa analisar principalmente a margem dos produtos e as demais despesas da operação.
Uma loja pode aumentar seu faturamento sem necessariamente aumentar o lucro na mesma proporção.
Como funcionam os royalties sobre compras?
Quando a cobrança é calculada sobre compras, a base dos royalties passa a ser o valor das mercadorias adquiridas pela unidade.
Algumas redes, como a Pinta Mundi Tintas, utilizam esse formato. No modelo divulgado pela rede, os royalties correspondem a 5% sobre as compras realizadas pelo franqueado. Há também uma contribuição de 2% sobre as compras para o fundo de marketing.
Nesse caso, o valor dos royalties está relacionado à reposição e à formação do estoque, e não diretamente ao faturamento obtido pela loja.
Isso torna a gestão das compras especialmente importante.
Se a unidade adquire produtos que demoram a ser vendidos, parte do capital permanece imobilizada no estoque e os royalties já incidiram sobre aquela aquisição.
Na prática, quanto muda de um modelo para outro?
Um exemplo ajuda a visualizar a diferença.
Considere uma situação hipotética em que uma loja fature R$ 100 mil no mês e realize R$ 50 mil em compras de mercadorias no mesmo período.
Se a franquia cobrasse 5% de royalties sobre o faturamento, o valor seria de R$ 5 mil.
Se outra operação cobrasse os mesmos 5%, mas sobre R$ 50 mil em compras, o valor seria de R$ 2,5 mil.
Nesse cenário específico, a diferença seria de R$ 2,5 mil no mês.
Isso não significa que royalties sobre compras sejam sempre 50% mais baratos. A relação entre compras e vendas muda ao longo do tempo.
Uma unidade pode precisar reforçar o estoque em determinado mês e comprar R$ 80 mil mesmo faturando R$ 100 mil. Em outro período, pode vender produtos adquiridos anteriormente e precisar fazer uma reposição menor.
O exemplo serve justamente para mostrar por que o percentual não deve ser analisado isoladamente.
Quando royalties sobre compras podem ser mais interessantes?
Esse formato tende a exigir uma atenção maior ao giro das mercadorias.
Uma operação com estoque bem dimensionado, compras alinhadas à demanda e reposições eficientes consegue manter uma relação mais equilibrada entre o que compra e o que efetivamente vende.
Nesse cenário, a cobrança acompanha a aquisição dos produtos necessários para sustentar a operação.
Para uma loja multimarcas, essa gestão se torna ainda mais relevante, já que diferentes fabricantes, categorias e faixas de preço disputam espaço no estoque.
Por isso, o benefício do modelo não está simplesmente em cobrar sobre compras, mas na capacidade do franqueado de administrar essas compras de maneira eficiente.
E quando os royalties sobre faturamento podem fazer sentido?
A cobrança sobre faturamento possui uma característica simples: o valor dos royalties acompanha diretamente as vendas da unidade.
Isso pode facilitar a previsão da taxa como percentual da receita.
Por outro lado, o investidor precisa analisar quanto permanece depois do custo dos produtos e das demais despesas.
Imagine uma loja que possui faturamento alto, mas trabalha com margens apertadas. O percentual continuará sendo calculado sobre toda a receita, independentemente de quanto efetivamente permaneceu como resultado da operação.
Por isso, nesse modelo, conhecer a margem do negócio é especialmente importante.
Nenhum dos formatos é universalmente melhor. Eles distribuem o custo de maneiras diferentes.
Estoque parado merece atenção no modelo sobre compras
Um dos principais riscos da cobrança sobre compras aparece quando a unidade adquire mais mercadorias do que consegue vender.
Nesse caso, além de utilizar dinheiro para formar o estoque, o franqueado pode ter pago royalties sobre produtos que ainda permanecem nas prateleiras.
Por isso, antes de entrar em uma rede que adota esse sistema, o candidato deve verificar se existem volumes mínimos de compra, regras de reposição e exigências relacionadas ao estoque.
Também é importante entender como a franqueadora auxilia na definição do mix inicial e no acompanhamento dos produtos de maior e menor giro.
Quanto maior a eficiência do estoque, menor tende a ser o volume de capital desnecessariamente imobilizado.
E se houver metas mínimas de compra?
Esse é outro ponto que merece atenção.
Se uma franquia estabelece metas ou volumes mínimos de aquisição, o candidato deve avaliar se esses valores são compatíveis com a demanda prevista para a sua região.
Uma meta muito acima da capacidade de venda pode levar a um crescimento indesejado do estoque.
Por outro lado, determinados volumes de compra podem estar relacionados às condições negociadas com fabricantes ou fornecedores.
Não existe uma regra única.
O mais importante é conhecer essas exigências antes de assinar o contrato e incorporá-las às projeções financeiras.
Fundo de marketing também precisa entrar na simulação
Royalties não são necessariamente a única cobrança recorrente de uma franquia.
Muitas redes também possuem um fundo destinado a ações de marketing e comunicação.
No modelo da Pinta Mundi, por exemplo, além dos royalties de 5% sobre compras, existe um fundo de marketing correspondente a 2% sobre as compras.
Se uma unidade realizar R$ 50 mil em compras durante o mês, em um exemplo simplificado, os 5% de royalties corresponderiam a R$ 2,5 mil e os 2% de fundo de marketing representariam mais R$ 1 mil.
Considerando apenas essas duas cobranças, seriam R$ 3,5 mil naquele período.
Essa simulação mostra por que todas as taxas precisam ser consideradas em conjunto.
O candidato também deve entender quais ações são financiadas pelo fundo de marketing e quais iniciativas de divulgação continuarão sob responsabilidade da própria unidade.
Royalties não podem ser analisados sem considerar a margem
A margem é outro elemento essencial.
Uma loja compra determinada mercadoria por um valor e a vende por outro. A diferença entre esses números precisa ajudar a pagar todas as demais despesas do negócio antes de se transformar em lucro.
Royalties, aluguel, salários, impostos, energia, sistemas, fretes e marketing fazem parte dessa estrutura.
Por isso, duas franquias podem cobrar taxas diferentes e, ainda assim, apresentar resultados financeiros bastante distintos.
Uma rede pode ter royalties menores, mas condições de compra menos favoráveis. Outra pode apresentar uma taxa maior, porém conseguir melhores negociações comerciais ou oferecer uma estrutura mais completa de suporte.
É essa combinação que deve ser avaliada.
O que perguntar antes de escolher uma franquia?
Antes de assinar um contrato, o candidato deve esclarecer algumas questões:
Qual é o percentual dos royalties?
Sobre qual valor ele é calculado?
Existe cobrança mínima mensal?
Há fundo de marketing?
Qual é a base de cálculo desse fundo?
Existem outras taxas recorrentes?
A unidade precisa cumprir metas mínimas de compra?
Há exigência de estoque mínimo?
Como funcionam as reposições?
Existem fornecedores obrigatórios?
Quais serviços e suportes estão relacionados às taxas pagas?
As respostas ajudam a transformar percentuais abstratos em custos concretos para a operação.
Faça simulações com cenários diferentes
Em vez de trabalhar com apenas uma projeção, o investidor pode simular diferentes situações.
Por exemplo:
O que acontece se a loja faturar R$ 100 mil e comprar R$ 50 mil?
E se precisar realizar R$ 80 mil em compras para reforçar o estoque?
Quanto pagaria em royalties em cada modelo?
E se o faturamento ficar abaixo do esperado durante alguns meses?
O capital de giro suportaria as despesas?
Qual seria o impacto de um estoque com menor velocidade de venda?
Quanto mais cenários forem analisados, melhor será a compreensão do risco financeiro.
A COF ajuda a esclarecer as condições da cobrança
As regras relacionadas aos royalties devem estar claras antes da contratação.
Por isso, o candidato precisa analisar cuidadosamente a Circular de Oferta de Franquia, a COF, além do contrato e das informações apresentadas pela rede.
É nesse processo que devem ser confirmados os percentuais, as bases de cálculo, possíveis cobranças mínimas, condições de compra e outras obrigações financeiras.
Também vale conversar com franqueados e ex-franqueados para entender como essas cobranças funcionam na rotina da operação.
Afinal, royalties sobre compras ou sobre faturamento: qual é mais vantajoso?
Não existe um formato que seja automaticamente melhor para todas as franquias.
Royalties sobre compras tendem a exigir uma gestão eficiente do estoque, porque a taxa acompanha a aquisição das mercadorias. Quando compras e vendas estão bem equilibradas, esse modelo pode apresentar uma dinâmica financeira interessante.
Royalties sobre faturamento acompanham diretamente a receita da unidade e podem ser mais fáceis de projetar, mas precisam ser avaliados principalmente em relação à margem e aos demais custos da operação.
A principal conclusão é que o percentual não deve ser analisado sem a base de cálculo.
No setor de tintas, modelos como o da Pinta Mundi utilizam as compras como referência para a cobrança dos royalties, enquanto outras franquias podem adotar estruturas diferentes.
Cabe ao investidor transformar essas regras em números, simular cenários e comparar o impacto no caixa antes de tomar uma decisão.
Royalties são apenas uma parte dessa análise. Investimento inicial, capital de giro, suporte, fornecedores, portfólio e prazo estimado de retorno também precisam ser considerados.
Para entender como todos esses fatores se relacionam, veja o guia sobre qual franquia de tintas oferece o melhor custo-benefício para investir.
Ainda não há comentários